27/09/2016

Gorda pode!







Já faz tempo que eu espero/planejo essa seção do blog - que agora, finalmente, nasce! Pra quem me conhece, não é novidade o meu interesse por moda. É um interesse antigo, que vem lá do longínquo ano de 2008, quando eu - recém-saída do vestibular - decidi cursar Design de Moda na Veiga. Depois, fui pro Senai; depois, mudei de ideia; depois, mudei tudo; depois fui parar na Letras e acabei ficando por lá. Mas o amor continua (e, lá no fundinho dele, a vontade de voltar a estudar e trabalhar com isso em algum momento do futuro).

Moda, pra mim, não é sobre tendência, não é sobre imposição, não é sobre futilidade. Moda é uma forma de se colocar no mundo, é uma forma de se inventar e se reinventar a cada dia. Moda pode ser arte, também. Pode ser protesto, rebeldia, recusa, autoafirmação e manifesto. Pode ser revolução diária. Pode ser algo impensado, inovador, inusitado, furando o tédio e o horror do cotidiano.

Somando esse amor à minha constante revolta pela gordofobia escancarada ou camuflada das grandes marcas (que ou fazem roupas bonitas e caríssimas ou fazem roupas acessíveis e horrendas), não podia terminar de outro jeito. Meus planos pro ano que vem incluem comprar uma máquina de costura e aprender a costurar, pra, finalmente, me libertar da péssima sensação de depender de empresas que nem sequer reconhecem a nossa existência. Mas, enquanto isso não acontece, o que tem pra hoje é esse eterno malabarismo pra conciliar: 1) um valor que caiba no meu bolso; 2) um tamanho que caiba no meu corpo; 3) uma estética que caiba no meu estilo.

E assim vamos. Com dias incríveis de autoestima mais sólida que uma rocha e dias sofridos em que a nossa única vontade é deitar em posição fetal no provador da loja, porque, entre mil roupas maravilhosas, não há nem sequer 01 (uma!) que você esteja autorizada a usar.

Foi pensando nisso tudo que decidi abrir essa singela seção do blog, que vai reunir textos sobre gordofobia, questionamentos, reflexões e, claro, por que não?, alguns looks montados após o ÁRDUO esforço de encontrar peças que se encaixem nos 3 quesitos listados ali em cima. Sim, porque se o ato de se vestir já pode ser, por si só, um exercício de autoconhecimento, de relação com o mundo e com o outro, se esse ato já pode ser uma forma de empoderamento, então, para as gordas, é particularmente empoderador, porque contraria os muitos estereótipos vendidos pela mídia do que significa, afinal, ser uma mulher gorda. E o que significa ser uma mulher gorda em um mundo que não reconhece nem acolhe a existência de mulheres gordas? Essa é a questão.



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