05/11/2013

Resolução





































se querer o outro
é querer o destruído
no outro
é querer o absurdo
no outro
é querer lava espessa
emergindo vulcânica
em danças e
danças
e danças
e é querer um tango
ridículo cravado pelo
céu das bocas
e a mão sem luva
tateando pelas caixas
de surpresa a esmagar
insetos ou flores
ou insetos sobre flores
ou flores já digeridas
por insetos
é prédio curva explosão
1 ou 2 aviões demolindo
as grandes torres
é torre
cupim praga parasita
em corrosão
lenta e continuada
se querer o outro
é querer a si mesmo
e mutuamente
falar sozinho como um
mendigo louco
entre esquinas e igrejas
lotadas de fiéis gritando
surdos deus é mais deus
é amor foi
deus que me deu
e catar restos
entre brechas apertadinhas
frígidas como uma
freira desavisada

então

eu
é que não
quero querer

ninguém



(imagem: Carmel Jenkin)