07/09/2013

Possessio maris

































I.


eu não sei Camões aonde
você pensa que vai com essas
intenções de sintonia
não se engane a alquimia
dos corpos já não se aplica
a mais ninguém

você que se transforme
em você mesmo

faz bem assim



II.


uma revolução só se faz
com um naufrágio (para
que o baixo venha
acima e as danças tragam
dos corpos os novos
corpos) - se dos navios
ou dos olhos, tanto
faz, não havendo mares
improvisa-se com a água
das torneiras



III.


a janela dos trens irá toda aberta
e eu desejarei os barcos tardios
reclamando que o céu nunca pôde sair
de mim
foder e foder e foder não
vai resolver nada, querida
mais fácil seria lançarmos ao azul
dos azulejos o que em nós ainda
espera o porto que nunca
veio
o porto dos sem contornos
sempre à espreita de um oceano
mais enxuto ou mais cheio

amar tampouco muda
coisa alguma
o mar que mata o livro afogado
continua a nos pegar
por trás