06/08/2013

Vinte e oito segundos



no intervalo entre o andar ao teu lado e o
você parar e eu não, entre o não 
perceber que você parou e o te buscar 
com o olho despreparado, uma pesca 
distraidamente atenta: já não o somos, 
aquilo que somos, 
aquilo que fomos, quando 
você para e eu não, quando você sem 
ver que eu ainda ando e eu sem ver que você 
não mais, seguimos ambos espessos inteiros 
bravios; vinte e oito segundos somente e 
dentro deles, no entanto, o fora 
invade o corpo aos 
poucos como um fim
e logo é tarde e já se perdeu tudo 
o que nunca se teve.